quinta-feira, 20 de julho de 2006

Felipe Machado

O pernambucano Felipe Machado, 28, é um dos responsáveis pelo programa do governo federal de pontos de cultura. Viaja o país organizando pontos de cultura em lugares que até então nem sonhavam em ter computador. Usando sempre como base a tecnologia dos softwares livres.
Além disso ele é DJ, produtor, e por que não, músico também (apesar de não tocar nenhum instrumento).
Se ligue aí nas opiniões pertinentes de Felipe Machado.

C: O que exatamente são os pontos de cultura?

F.M: O Ponto de Cultura é a ação prioritária do Programa Cultura Viva e articula todas as suas demais ações. Ele é a referência de uma rede horizontal de articulação, recepção e disseminação de iniciativas e vontades criadoras. Uma pequena marca, um sinal, um ponto sem gradação hierárquica, um ponto de apoio, uma alavanca para um novo processo social e cultural. Como um mediador na relação entre Estado e sociedade, e dentro da rede, o ponto de cultura agrega agentes culturais que articulam e impulsionam um conjunto de ações em suas comunidades, e destas entre si.
Em resumo: é isso

C: Se lula não for reeleito esse esquema pode acabar?

F.M: A idéia é exatamente essa. Que nunca acabe. O que pode acabar é a "marca" pontos de cultura, mas as ações e doações não. Com a doação de equipamentos multimídia para os pontos, estamos dando poder para que eles desenvolvam suas ações com qualidade, com a utilização de Software Livre estamos fazendo com que eles entrem para uma rede que tem vida própria, que independe de governos ou organizações, formando a rede dos Pontos estamos incentivando a produção colaborativa e enraizando o processo coletivo para uma possível independência.
O lance é hackear o Governo. O Gil fala isso, que tem alma de hacker.

C: ele fala isso?

F.M: Gil? Sempre. Que sua alma é hacker.

C: Então se hackearmos o governo teremos o aval de Gilberto Gil?

F.M: Mas ESTAMOS hackeando o Governo. E é isso que o Governo quer.

C: porque? Sai mais barato?

F.M: Como assim?

C: Sai mais barato para o governo isso? software livre, um trabalho terceirizado...

F.M: Claro. Porque pagar por licenças se existe tudo livre? Somos um país pobre, quanto menos se gastar com supérfluos melhor. Poderíamos voltar a grana pra outras coisas. Imagina...todo ponto de cultura terá um kit multimídia certo?
PC, placa de som, câmera...tudo que se precisa para trabalhar com multimídia custa 20 mil.
Se fossemos comprar licenças pra softwares ia pra uns 80 a 100 mil. É foda...umas 4x o valor.

C: então porque o governo brasileiro barrou a licença para os softwares livres?

F.M: Não barrou nada. Ao contrário, este governo é o que mais apóia.
O Lula é um Deus no mundo do Software Livre.
kkkkkkkkkkkkkkkk

C: Mas eu soube de uma historia que a microsoft deu em cima, e o governo recuou na liberação de software livre.

F.M: Algumas coisas são foda. A câmara dos deputados barrou. Você imagina por que?

C: com certeza por terem o rabo preso

F.M: No início do ano houve um trem da alegria, pago pela Microsoft, rumo a Seatle, sede da Microsoft. Vários dos deputados, quando perguntados o porque da viagem, já que nunca tinham tido nenhuma relação com Informática, diziam que "se nunca tive interesse, a hora é essa..." O lobby é muito grande.

C: É verdade...

F.M: Imagina uma coisa... Software Livre não tem sede, Não tem presidente... É uma comunidade. Somos fortes como pessoas que tem uma ideologia, não como empresa. E mesmo assim, sustentamos nossas famílias.

C: tem muita gente que tá se aproveitando para ganhar dinheiro ilícito dessa historia de ponto de cultura?

F.M: Cara...se tem gente se aproveitando deve ser como em tudo no mundo. Esperar que só tenha gente boa é ingenuidade.

C: Tu também é DJ, produtor, e até músico...tu acha que a cena eletrônica em recife é legal? Temos bons DJ’s aqui?

F.M: DJ's bons nós temos, cena eletrônica é outra coisa. Não existe cena eletrônica, existe TRANCE (argh!). Tipo...em Brasília existe uma noite de IDM. Aqui se eu tocar IDM levo uma garrafada. kkkkkkkkk

C: o que é IDM?

F.M: Inteligent Dance Music...Aphex Twin....

C: podes crer. Que nome pomposo da porra..

F.M: Normal. Só nome. O som é difícil e quase “indançável”, mas tipo, não existe House bom, noites de Ragga, DUB. Temos um lance que às vezes é até melhor, e que o povo de fora pira. Tocamos tudo na mesma noite!
Mas é foda. Imagina que não existe uma casa pra DJ tocar...com ar condicionado...vídeos...Onde VJS tocam em recife ?
você entende ?

C: esse lugar não existe...

F.M: É tudo gueto.

C: Você não acha que os DJ’s de Recife sempre pegam o bagaço do que foi lançado no sul? Tipo, a onda drum n bass...só chegou aqui depois, e o que chegou foi o bagaço.

F.M: Não acho. Sempre rolou drum n'bass, mas quando tocávamos num era tão cool. lembro que Renato L sempre tocou uns jungles....
É que quando fica POP é que dá na cara.

C: Dá pra fazer uma lista de DJ’s daqui de Recife que você não iria ver nem como convidado?

F.M: hahahaahahahaha

C: se não quiser responder, tudo bem...

F.M: Quero é me lembrar dos nomes...kkkkkkkkkkkkkk.

C: Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

F.M: Qualquer um que toque trance, ahhhh...nem lembro, mas tem. Só num lembro.

C: porque tu acha que existe essa cultura trance? O que tem demais nesse som?

F.M: Tem de menos...é um lixo. Eu até que respeitava o trance....mas hoje em dia tá demais...
Só tem uma coisa que o trance fez que pode até ser legal. É quando abre espaço pra outros estilos em suas festas...e só!
Prefiro o brega.

C: Eu também.
Foi difícil trabalhar no disco de silvério? tu pôde experimentar, ou foi tudo do jeito que ele queria?

F.M: Foi massa. Acho que se eu experimentasse mais num ia ser o disco dele.
Vale lembrar que silvério foi o cara que acreditou em mim, chamou um produtor que nem sabia o que era produzir. Foi foda!!!

C: é...isso é um lance bacana nele. Sempre tá querendo gente nova por perto.

F.M: (que entrevista do caralho!!! alto nível!! PQpariu)
Ele tem Yuri (Queiroga, guitarrista) agora.

C: o originais do sample * vai ser uma banda virtual?
Nunca tocam, porra...

F.M: Não. Vai ser uma banda lendária!!! O originais é um termômetro da minha vida pessoal...se tenho tempo tudo anda, se não, fudeu.

C: tem link pra galera baixar o que foi gravado?

F.M: Não tem link e não vai ter enquanto eu não conseguir mixar tudo.

C: achei que já tava pronto.

F:M: Não tá. Tenho que mixar muita coisa.

C: Por falar em link...tu apóia esse lance de mp3? liberação de música na net...

F.M: Claro!!! Porque não?
B.negão é a prova nacional que rola...

C: O Mombojó também...Mas e o autor das músicas...onde ele ganha com isso?

F.M: Qual é a idéia? Né fazer com que sua música chegue o mais longe possível, para que possa vender shows? Artista só ganha grana com show, quem ganha grana com disco é gravadora...ou não? Faz as contas. Agora se o papo for liberar tudo ou não, acho que fica a cargo de cada um. Se você tiver afim libere seus direitos, mas caso contrário você não vai estar sendo escroto ou qualquer outra coisa. Odeio os xiitas, tanto da cultura livre quanto da proprietária. Liberdade é direito de escolha.

C: Bela frase...Mas essa coisa de liberação de música via internet ainda é um terreno difícil de pisar, tu não acha?

F:M: Acho não. Acho o contrário...é vacilo se fechar...

C: acho que já deu...alguma coisa que tu queria acrescentar?

F.M: Beijo e boa noite.
Fui.


* Projeto autoral formado por, Chiquinho (Mombojó), Hugo Gila (Variant TL, Kaia na Real, China), Marcelo Machado (Mombojó), Thiago Andrade (Zé Cafofinho, Variant TL). Tem 8 músicas gravadas, e segundo Felipe Machado, em fase de acabamento.

Site do Estúdio Livre aqui.

Fonte: Comunidade Que conversa é essa?! do China em 19.2.2006.

Priscila Melo

“Priscila Melo. trabalho com o Mundo Livre S/A e em produção de shows, eventos e festivais. Tenho 23 anos. É isso mesmo, 23 anos, e daí? Só porque a banda que eu trabalho tem 22 anos de estrada. Eita preconceito”

*Essa entrevista foi concebida via msn.

China: É difícil trabalhar com uma banda grande, sendo tão nova?

P.M: É difícil, mas é uma escola danada. Trabalhei sempre com bandas menores, o Mundo Livre já tem uma história. Ou você estuda, corre atrás e tem argumentos e iniciativas ou você fica para trás. Eu era e sou fã da banda então não foi tão difícil assim, já trabalhava também com Bactéria na Variant TL (projeto paralelo de Bactéria).

C: Então quer dizer que os caras não dão trabalho?

P.M: Oxi, e se não dão. São 5 personalidades completamente diferentes, fora a técnica que são mais 5, daí você tira.
Um acorda e quer tomar café da manhã as 11h o outro acordou as 7h e já quer almoçar. O legal é que todos da banda se respeitam.

C: O Mundo Livre tinha dado uma estacionada há um tempo atras. O quinto disco não rodou bem, e desde que você assumiu a banda, ela vem num crescente radical. Muitos shows marcados, uma certa organização...mas trabalhar com banda consolidada é mais fácil, né?

P.M: Com certeza. Eu ligo para os contratantes e todos (a maioria) sabe quem é o Mundo Livre, não preciso convencer que o som é legal, meus argumentos são outros. A banda realmente no quinto disco deu uma desacelerada, entrei na banda no momento perfeito, pois acompanhei o processo de gravação do Bebabogroove. Com um disco novo na mão ajudou bastante para que ano de 2005 fosse o ano onde a banda fez mais shows.

C: tu acha o Recife um cenário propício para viver de produção? Afinal, temos poucos que são bons.

P.M: Viver de produção unicamente em Recife é difícil, Mundo Livre é nacional por isso que consigo me sustentar, a banda também consegue. É difícil ser uma banda nacional e morar em Recife. É a única coisa que me dificulta na hora de fechar show, as danadas das passagens aéreas.

C: Me diga alguns produtores que você admira em Recife.

P.M: Gosto muito do trabalho de Paulo André. O Porto Musical me proporcionou muita experiência. fui nas duas edições e aprendi pra dedel. Troquei contatos, fechei muitos shows...o porto Musical me permitiu conhecer pessoas importantes do meio. Mas acho que tá surgindo uma nova geração de produtores onde eu me incluo, que são competentes e esforçados. A profissão 'produtor" ainda é muito nova.
Ou você corre atrás, pesquisa dá sua cara a tapa ou se dá mal pois não rola livros ensinando como produzir bem.

C: Uma vez alguém me disse uma frase assim: A groupie de ontem, pode ser a produtora de amanhã. O que você acha dessa colocação?

P.M: Acho um luxo. Quero que você me diga quem não é groupie. Não deixei de ser por estar produzindo não. Areia (baixista do MLSA) tira sempre uma onda comigo, diz que assim que a banda tiver pronta para entrar no palco eu tenho que sair, enfrentar fila, comprar o ingresso para assistir o show, e que produtora não pode dançar. Isso é para encher o meu saco, eu sou a mais animada.

C: Tu é groupie?

P.M: Acabei de responder.

C: É que eu não acreditei no que li antes. São poucas pessoas que tem coragem de assumir isso.

P.M: Sou, mas não sei qual é o seu conceito de groupie. Pra mim groupie é quase uma menina líder do fã-clube. É que hoje em dia isso é mais difícil.
Vou para quase todos os shows, berro na frente do palco, você sabe disso China, no seu é onde mais grito, tirando o Eddie. Adoro!

C: Hahahahahahaahaha.
Tu acha que o governo de Pernambuco divulga e apoia a música daqui, ou usa o respeito que a música pernambucana tem no mundo para tirar proveito?

P.M: Acho sim que eles tiram proveito, depois do Manguebeat então, nem se fala. É muito engraçado pois tem um orgulho danado da parte deles. Ajuda que é bom, nada.

C: Tu tem uma memória que não é muito boa, vive esquecendo das coisas. Como é isso no trabalho? Muda?

P.M: uhauahuahuhuahua!
É mesmo, não tenho uma memória muito boa não. É verdade. Mas anoto tudo no meu computador. Se ele der um pau, ai, ai, ai, não quero nem pensar nisso. Quando viajo faço uma planilha com todas as informações necessárias para aquela viagem. Sou organizada, uma coisa supera a outra. Tenho duas agendas. Uma fica em casa com as mesmas informações da outra, se eu perder tenho uma de reserva.

C: Mas você lembra de ver as agendas?

P.M: Lógico que vejo, se não já teria esquecido de algum show. Teve uma vez que fizemos em 15 dias, 12 shows e um vídeo clipe, tudo deu super certo, o que você me diz? Organização bombando.
Me lembra produções!

C: Tu acha que tem gabarito para construir a carreira de uma banda nova?

P.M: Tenho, hoje tenho. O MLSA me ensina todo dia, é uma banda grande e com ela fiz muitos contatos, aprendi muita coisa. O problema é tempo, que agora está sendo solucionado, ontem aluguei uma sala com Luisa Accetti, minha mais nova sócia. Lá vamos abrir uma produtora, não dá pra ficar sozinha, é burrice, acumulo de funções.

C: Pode ser que eu passe lá para ver o serviço de vocês. onde vai funcionar?

P.M: No edifício São Gabriel, conhece? Amanhã é dia de faxina, se quiser pode aparecer lá para dar uma forcinha, será bem vinda.

C: Onde é esse edifício?

P.M: Na rua da moeda, o mesmo de Carlós, Paula de Renor, um rosa na rua da Assembléia, número 67.É uma esquina com a rua da moeda. Lá será sua sede também. Queremos te vender.

C: Eu não sou garoto de programa...hahahahahaahaha.
Dividindo as tarefas, vocês pretendem pegar mais bandas?

P.M: Lógico que queremos mais bandas. Já estou vendo algumas coisas para o Otto. O empresário dele é Geraldinho Magalhães, mas nada me impede de fechar show para ele. Trabalho com parceiros. Variant, Gaspar. Muitos festivais não tem o perfil do MLSA. Posso muito bem vender outra banda, e nada impede da banda ter sua própria produtora. Depende da negociação com o artista.

C: Então seria apenas um esquema de venda de shows e não construção de carreira mesmo?

P.M: Depende da negociação com o artista. No seu caso por exemplo: Você está sem produtora nem empresária, e com um CD quase pronto, posso muito bem trabalhar seu novo disco, vender show, divulgação. Isso vai depender do acordo que será feito com o artista

C: Bela proposta. Vamos encerrar a entrevista e começar as negociações.


Orkut da Priscila Melo aqui.

Fonte: Comunidade Que conversa é essa?! do China em 12.5.2006.

Érycka Martins

Érycka Martins, 23, piauiense de Cristino Castro. É modelo da Elite Model, desfilou para várias marcas importantes e participou do último SPFW. Morando em São Paulo há dois meses, ela espera ganhar um bom dinheiro com a sua profissão sem precisar cair nos encantos da fama.
Essa entrevista foi concebida via msn.

Érycka Martins: Eu até acredito quando dizem que ando (desfilo) bem, mas nunca me fizeram acreditar que sou bonita.

China: Você não se acha bonita? Isso é um mal das modelos. Sempre acham que são feias.

E.M: Por que me achar bonita se na escola me fizeram acreditar que eu era "vara de tirar côco", "canela se ema". Foi uma verdadeira LAVAGEM CEREBRAL.

C: Tu acha que as pessoas prestam mais atenção na roupa ou na modelo?

E.M: A modelo é cabide (é o que nos dizem). A roupa é que está sendo "exposta", vendida. Mas porque que as modelos fazem tanto sucesso?

C: Era isso o que eu ia perguntar.

E.M: Pura sorte. O mercado é tão nojento, que um dia querem menininhas brancas de olhos azuis. Na outra semana querem modelos com carinha de boneca...no dia seguinte querem a beleza andrógina. Vai entender!

C: Os estilistas poderiam colocar modelos mais feias. Assim a roupa chamaria atenção. Ou a roupa só fica bem em quem é bonito?

E.M: Bah! Tem tanta modelo feia (exótica), velho!

C: Hahahahahahaah. Na moda exótico é sinônimo de feio?

E.M: Na verdade eles (fashionistas) usam o termo “exótica” só pra amenizar...e não chamar a modelo de feia.

C: Muito boa essa...
É bom ser modelo? É um bom emprego?

E.M: Quando se é supermodelo, sim. Tu ganha bem. Eu não sou uma supermodelo, e nem sei se vou me tornar uma.

C: Tu queria ser uma supermodelo? ou assim já tá bom?

E.M: Não tá bom, não. hehehe. Eu ganho mal! fugi da primeira pergunta? Se eu quero ser? Quero. Mas só pra ter uma grana legal. Não quero fama. Juro.

C: Mas qual a modelo que tem grana que não tem fama? Isso é impossível nos dias de hoje.

E.M: Quem disse? Tem um monte de modelozinha que já tem uma boa conta bancária e nem por isso é "top".

C: Os estilistas são bundões e ficam duelando ego com as modelos?

E.M: Não. Eles duelam entre eles. Estilistas X estilistas.
Alguns são até amiguinhos, mas rola inveja sim, principalmente se aquela Top do momento é mais amiga de um do que do outro.

C: Qual o tempo de vida útil da modelo?

E.M: Eu já estou idosa. Por isso tô te dizendo que não sei mais se vou ser uma supermodelo. Tenho 23 anos. Hoje meninas de 13 anos já moram sozinhas em apartamentos da agência em NY.
Quando a modelo se cuida, ela chega aos 30 com "tudo em cima". Daí, elas começam a ir pro mundinho da TV e viram apresentadoras. Ana Hickman, Adriane Galisteu, Luciana Gimenes, Mariana Weickert.

C: Mas você já viajou o mundo, não? Tenho uma amiga que é modelo. Ela tem 20 anos, eu acho, e agora tá em Hong Kong. Depois de morar na Tailândia ,onde começou a carreira, aos 15 anos. Isso não é ruim para uma adolescente? Quais serão os valores da vida de uma menina dessa, além de roupas, maquiagem, shoppings?

E.M: Eu nem sei te dizer, por isso eu preferi terminar de estudar. Se eu tivesse me mandado pra Europa com 13 anos, o que eu ia ser depois dos 25?

C: Mas tu pensa em fazer faculdade?

E.M: Vou.

C: De que?

E.M: Quero fazer moda. Não pra ser estilista ou produtora de moda. Quero fazer fotografia de moda.

C: Tu num acha que existe uma supervalorização da roupa, não? Do acessório, da maquiagem. Se todo mundo se vestisse igual, as belezas naturais de cada um não se destacariam mais?

E.M: Eu acho que não.
Não é um jeans de 800 paus da “Diesel” que vai te deixar bonita.

C: Então porque mulher adora comprar roupa cara?

E.M: Algumas mulheres. (Conserta a pergunta e faz de novo).
ALGUMAS MULHERES adoram comprar roupa cara pra mostrar pra outra mulher o glamour que ela pode ter. Uma vez eu li em algum lugar que existe três tipos de mulher.

C: Só não me diga que foi na capricho!

E.M: Eu tenho cara de quem lê Capricho?

C: Hahahahahaha.Não sei, só vi as fotos no orkut, mas acredito que não.

E.M: A mulher BURRA é a que se veste pra outra mulher. A mulher SENSATA é a que se veste pro homem. A mulher INTELIGENTE é a que se veste pra ela mesma.
é isso....

C: Tu se enquadra em qual dessas vertentes?

E.M: Sensata às vezes, inteligente muitas vezes.
Nunca coloquei (e nem tenho) uma roupa de marca cara só pra mostrar pra minha vizinha que paguei 700 pau nela.

C: Mas você deve ganhar um monte...

E.M: Não ganho. Mesmo que ganhasse "um monte", nunca daria mais de 100 reais numa peça de roupa. Juro!
Eu compro roupa. Não compro marca.

C: Eu odeio roupa. Mas mudando de assunto...
Quando eu era pequeno, me diziam que as misses eram burras. Depois ouvir dizer que as modelos eram burras. No final das contas. Quem é a burra da historia? A modelo ou a miss?

E.M: É burro quem não estuda. Eu estudei. Minha mãe é professora e eu entrei cedo na escola. Terminei 3º ano com 16. Já era pra eu estar formada em qualquer merda se eu tivesse querido.
Falei bonito! Hahhahahaahahaha.

C: Mas com tanta oferta de salário e fama, é difícil ter uma postura como a sua. Deve rolar um puta deslumbramento.

E.M: Um pouco ambígua a afirmação....

C: Porque?

E.M: Eu não entendi. “É difícil ter uma postura como a sua...deve rolar um puta deslumbramento”. da minha parte?

C: Claro que não. Do geral.

E.M: Foi o que imaginei.

C: Falei que você teve uma postura, mas e o geral?

E.M: Bah! Rola...e China, nem tudo é o que parece ser.

C: Tu já foi enganada?

E.M: Não. Eu não me deslumbro fácil (nunca na verdade). Mas as meninas são enganadas porque prometem um mundo lá fora, chega lá: Se fode (literalmente).
Eu sempre tive pé no chão. Pés que calçam 40.
Hahahahahaahahahaha.

C: hahahahahahhahaha. Muito boa essa.
Tu mora sozinha em SP, mas disse que era do Piauí, né?

E.M: Nascida no interior dele, mas bem no interior meeeeesmo: Cristino Castro. Com 16 fui morar na capital Teresina. Foi quando eu participei do Elite Model Look, o concurso internacional da Elite. Peguei um boa colocação no Piauí, mas eu queria era estudar...
Minto! Fui com 14 morar na capital.

C: Agora eu lhe pergunto: Você não se acha bonita. Porque foi fazer o concurso? Não ficou com medo da galera gritar...”Saí daí vara pau!”.

E.M: Na civilização? Não. Lá eles valorizavam a minha altura, exotismo e magreza.
Me chamaram pra participar. Fui! Coisa nova sabe? Adoro esse cheiro. Daí comecei a desfilar muito. Toda loja me queria. Desfilei pra Patachou, Alexandre Herchovicth, Maria Bonita, Vide Bula, Colcci e bla bla bla...daí, me convidaram pra fazer tv. Ser repórter de moda, balada, música (arte e cultura em geral). Isso fui na sbt do Piauí.
Caralho, bombei na capital. Fazia tattoo ao vivo no programa, cobria raves, dava espaço pras bandas locais. Teófilo Lima, Capitão Guapo, Martini Cadilack, Brigit Bardot, Mano Crispin, essa galera toda passou por lá.

C: Conhece uma banda da tua terra chamada lado2estereo?

E.M: siiiiiiimmmmmmmmm! Eu já desfilei ao som deles num coquetel da Patachou.

C: Sim, mas e SP veio quando?

E.M: Há 2 meses, depois de uma puta depressão fudida. Passei o ano de 2005 (leia-se de janeiro a dezembro) em depressão. De repente tudo aquilo começou a me fazer mal. Eu me sentia dentro de uma caixnha de fósforos, e eu sou claustrofóbica. Eu já era magrela. Tinha 53kg e fiquei com 48 kg. Horrível! Pra quem tem 1,80 é foda.

C: é que viver da imagem é muito arriscado. Tem que ter uma cabeça boa para administrar...

E.M: Eu nem saia mais de casa. Não queria mais atender telefone, ficava o dia todo no pc ouvindo Los Hermanos, PJ Harvey, Mombojó, China. Ouvia música 24 horas por dia.

C: Mudar é sempre bom...tá sendo legal aí?

E.M: Decidi vir embora. Me convidaram para o SP Fashion Week em janeiro e eu vim. Acabou a SPFW, a cidade parou. Me refiro aos eventos de moda.
Começo de ano é embaçado pra quem é modelo fashion-passarela. Quem é comercial (leia-se linda) trabalha muito mais.

C: Tu conhece a moda que se faz em Recife?

E.M: Não. Fui pra Recife uma vez só. Aos 5 anos.

C: Eu tenho uma idéia para um desfile muito louco. Já falei pra varias estilistas daqui de Recife, mas ninguém topou ainda.

E.M: Como seria?

C: Era pegar as modelos de manhã e levar para um churrasco regado a muita birita. Aí quando elas estivessem bem “altinhas” eu as levava para a passarela. Elas muito loucas, todas vomitando na roupa. E só modelos lindas. Cambaleando, tentando se equilibrar no salto. Tombando na passarela.

E.M: Que tosco.

C: Toparia fazer um lance desse?

E.M: Nem

C: Na verdade é uma agressão a roupa e a beleza. Coisa mais conceitual do que estética.

E.M: Isso definitivamente não vende.
Ahahahahahahaahahaha.

C: Todo dia você fotografa?

E.M: Eu sou modelo fashion - passarela.

C: E o que isso significa? Me perdoe a ignorância.

E.M: Só desfilo. E uma vez ou outra quando gostam de mim, gravo comercial. Fotografar, só quando é pra alguma campanha fashion, tipo: Catálogo de marca famosa.

C: Eu queria fazer a última pergunta usando uma frase de Ronnie Von. Eu lhe pergunto: você acha que a moda está fora de moda?

E.M: O mundo tá ficando muito consumista, e gay também. Gay se amarra em moda e gay tem em todo lugar. Tão tomando o poder! Digo isso porque eu tenho amigo juiz gay, jornalista gay, médico gay, ator gay.
Moda num tá fora de moda não. E nunca vai estar.


Site da Elite Model aqui. Fotolog da Érycka aqui.

Fonte: Comunidade Que conversa é essa?! do China em 16.3.2006.

Rafael Crespo

Rafael Crespo, 35, guitarrista. Foi o responsável pelos hits mais importantes do Planet Hemp. Hoje em dia ele é sócio de um estúdio no Humaitá-RJ, e tenta montar uma banda de country/folk/rock no Rio de Janeiro. “A tarefa mais árdua que Deus me deu”.
*Esta entrevista foi concebida via msn.

China: Porque é tão difícil montar banda no Rio de Janeiro? Os músicos estão impregnados de clichês?

Rafael Crespo: Primeiro porque tem pouco músico, mas rola um pouco disso que você falou também. Já ouvi não mais de uma vez que o Rio é o túmulo do rock, assim como dizem que São Paulo é o túmulo do samba, mas não acredite nas coisas que você ouve.

C: Eu acho que os cariocas num são bons pra cantar rock. Acaba sempre com aquela sonoridade B rock, anos oitenta.

R.C: Pode ser. Tem umas coisas boas mas o que se sobressai é mais isso mesmo. Talvez pelo fato de todas as grandes gravadoras, as emissoras de tv e rádio estarem concentradas aqui, criou-se essa cultura pop no Rio de Janeiro, enquanto São Paulo sempre foi mais underground, e os estados estavam muito distantes para se preocuparem com isso.

C: Tu acha que os anos 80 fizeram mal a cena rock que se criou depois?

R.C: A que veio depois não porque quem veio depois, veio puto com o que rolava antes. Falo de Raimundos, Planet Hemp, Chico Science...foi uma ruptura com aquela coisa de Blitz, Barão Vermelho Kid Abelha, o rock de mauricinho.

C: Nessa época tu já tinha banda ou foi no Planet Hemp que começou tua carreira?

R.C: Não. Comecei a tocar razoavelmente, o suficiente para ser aceito numa banda, lá pelo meio dos anos 80.

C: Guitarra?

R.C: Isso, guitarra. Lembro até hoje do Rock in Rio I, o Herbet Vianna chamando o Angus Young (ACDC) de mão dura. Me deu uma raiva, mas hoje eu entendo.

C: Porque ele disse isso?

R.C: Porque ele achava que o Angus Young só sabia tocar aquele som, que ele não tinha swingue para tocar um reggae ou um ska. Mas quem disse que o Angus precisa tocar ska, o cara tocava numa das maiores bandas de rock da época, era um guitarrista showmen, o cara não tava nem aí. Cada um faz o seu som.

C: Tu acha que o cara pra viver de música tem que ser, digamos assim, versátil?

R.C: Aqui no Brasil, sim. Já ouvi uma definição de malandragem que era o seguinte: Malandro era o cara que conseguia viver bem e se divertir sem dinheiro, ou seja, foi o jeito que o pobre inventou para viver melhor. Foi aí que surgiu a malandragem. Acho que o músico brasileiro é meio assim, se vira como pode para fazer o que gosta.

C: É, tu poderia ter feito parte de outras bandas rentáveis, mas você sempre investiu no underground.

R.C: É, eu fiz parte de uma banda que acho que vai ficar marcada na história de algum jeito, não sei se bom ou ruim. Podia ter me acomodado com o que tinha conseguido, mas não ia me sentir feliz e realizado enquanto visse tantas bandas boas e de qualidade serem desprezadas e subestimadas.

C: Porque tu saiu do Planet no meio do caminho? Só pra não ser preso? (Os músicos do Planet Hemp foram presos pela polícia em 1997, época em que Rafael se afastou da banda).

R.C: Pois é, você já viu aquele filme, Matchpoint, do Woody Allen?

C: Não.

R.C: Então vai ver! Ele diz que na vida tudo é uma questão de sorte. Acho que foi isso. Saí num momento em que não concordava com os rumos musicais que a banda tava tomando. Não consigo fazer uma coisa e olhar na cara das pessoas se eu não tiver tendo prazer no que faço e no convívio com eles. Então rolou aquilo, mas depois a gente amadurece, cresce e...sei lá, morre um dia, né?

C: Mas tu voltou pela grana ou porque se entendeu com os caras?

R.C: Eu me entendi com os caras no momento que eu tava mais duro, essas coincidências são foda, né?

C: Tu tem muita composição nos discos do Planet, mas ao mesmo tempo, você tem essa coisa de colocar os teus sons na internet . Aqui em Recife, os compositores que ganham bem com direito autoral, não querem botar as músicas na rede por medo de perder grana. O que tu acha? O cara perde, ou ganha na frente liberando as músicas?

R.C: Bom, eu não vejo música por esse ângulo. É como se o Picasso cobrasse pelo número de vezes que alguém visse um quadro dele. Acho que primeiro, música é uma arte(mas pode ser que eu esteja enganado), logo me considero um artista, e o que eu mais quero é que as pessoas ouçam minhas músicas, conheçam a minha arte. Dinheiro é conseqüência de vários fatores. Não é nisso que eu penso quando faço um som, nem quando tento achar um meio para que as pessoas possam, ter acesso. Acho que quem vive de música, quem tem um nível de vida elevado, não quer perder nunca o que conquistou. Desse ponto de vista eu ate entendo(embora não concorde), mas para o artista que ta começando, que não tem porra nenhuma, não faz diferença. É uma questão complicada, não é tão simples assim.

C: Gostei da analogia com os quadros de Picasso. Se ele cobrasse ia ser complicado mesmo.
Tu agora tá tocando em quantas bandas? Quando eu te conheci, você tinha pelo menos umas seis.

R.C: Pois é, eu era jovem, né? Cheio de energia. Agora eu só toco com o Polara, e faço umas músicas que eu tô tentando divulgar sob o nome de Poniboy. Acho que é isso, não tenho mais nenhum plano ambicioso para conquistar o mundo, mas também não me contento com o que tenho. Então a questão é: Enquanto eu tiver criatividade para fazer música, enquanto não me provarem que o que eu faço e ruim, eu vou continuar fazendo e divulgando da maneira mais ética possível o meu trabalho.

C: Tu já se vendeu (ou se rendeu) a pressões de gravadora alguma vez?

R.C: Depende.

C: Como assim?

R.C: O q isso significa? Assinar um contrato e se render? Não. Nunca.

C: Fazer coisas que a gravadora insistiu e que não eram legais para a banda, essas coisas.

R.C: Eu já quebrei um disco de ouro uma vez na festa de entrega do nosso disco de ouro, acho que depois disso os caras ficaram meio com medo de mim.

C: Porque tu fez isso?

R.C: Pra começar porque eu tava completamente embriagado. E depois porque o nosso primeiro disco de ouro era igual aqueles que você vê em filme. Era um lp de 12 polegadas dourado, lindo. Tenho ate hoje. O segundo era um cdzinho mixuruca, e ainda por cima com um design de muito mau gosto. Como eu já tava insatisfeito por varias coisas que vinham ocorrendo. Acho que isso ficou no inconsciente, e a bebida ajudou a trazer tudo isso a tona. Na época eu achei engraçado. Hoje em dia eu acho muito mais engraçado ainda.

C: Pelo menos vai ter história pra contar pros netos.

R.C: Bom, algumas é melhor eles não saberem.

C: Hahahahahahahahahaha.
E agora dono de estúdio? Deve ser chato ficar alugando equipamento pra galera destruir.

R.C: Até que não. Eu tenho me aprimorado bastante gravando, mixando, fazendo algumas experiências. Mas eu to me concentrando nessa história de tirar bons timbres, de tentar ser original, sei lá. Coisas que eu sempre questionei também quando era músico. Lembro que na gravação do nosso primeiro cd, ninguém sacava muito de estúdio nem nada, aí eu levei um cd de uma banda para o engenheiro de som e mostrei pra ele um som que começava parecendo que você tava ouvindo um ensaio da banda, e de repente entrava a gravação porrada. Eu achei aquilo foda. Falei pro cara que queria fazer igual. O cara ficou olhando pra mim e achando que eu tava brincando ou que eu era maluco, até que ele sacou que era sério, que ele ia ter que fazer aquilo mesmo. Ele ficou umas três horas para descobrir como fazia aquilo, e eu não tinha a menor idéia...só sei que depois que ele descobriu, eu disse que ia gravar a musica inteira daquele jeito.
Bom, depois que gravamos o som, o cara me chamou de canto e falou bem sério comigo. “Olha, quando você mostrar isso pros caras da gravadora, você explica pra eles que a intenção que você queria era essa mesmo. Fala aquilo que você falou pra mim, diz que não é defeito e nem que foi má qualidade do estúdio”. Hahahahahahahaha. Eu fiquei rindo da cara dele.
Não tava entendendo porque ele tava se preocupando, tinha ficado do caralho, fodasse o resto.
Hoje em dia eu me dou conta, de como as pessoas eram atrasadas e retrógradas naquela época. Nesse mundo de gravadoras e produtores ainda são, mas hoje as pessoas ousam mais. Naquela época era proibido você fazer alguma coisa diferente. Depois disso eu comecei a me interessar por produção e por todos os recursos que um estúdio oferece e que não é aproveitado.

C: Qual era essa música?

R.C: Skank. Era uma música instrumental. E tem uma escondida também, a última do cd que rola isso. Por mim, eu teria gravado o disco inteiro desse jeito.
Pega pra ouvir o primeiro disco do Defalla. O som é muito foda. O disco é de 1984, sei lá, por ai. Quando eu fui tocar com os caras perguntei pra eles como que os caras da gravadora deixaram eles fazer aquilo. O Edu K me contou história. Disse que o técnico de som, que também era o produtor do disco, era um porra louca e curtiu as idéias da banda, então fez tudo do jeito que eles queriam. Eles só mostraram o disco pra gravadora quando já tava tudo pronto.

C: então, o primeiro disco deles lembra muito o usuário, do Planet, até os rifffs de guitarra são parecidos. Tu vivia ouvindo isso, né?

R.C: Esse disco me marcou muito. Foi a primeira vez que eu vi alguém fazer rock de verdade na minha frente, a um metro de distância, fazendo loucura, tirando uns sons loucos. Aquilo mudou minha vida de verdade, tipo, eu devia ter uns 15 anos. Eu falei isso pra eles depois porque eu entendi que você não precisava ser nenhum virtuoso pra fazer um som bom, bastava ter bom gosto, atitude...é isso aí.

C: Tu acha que o Brasil pode se tornar referência mundial no quesito rock?

R.C: Acho, de verdade. Aqui é o único país do mundo que tem banda de tudo quanto é estilo, tudo mesmo, e com talento. O que falta é incentivo e estrutura. Nenhum lugar do mundo tem a variedade que tem no Brasil.
Aqui você tem desde country a black metal, desde forró, a milonga, ou seja, tem de tudo, é só incentivar.
Eu li uma entrevista do Millencollin (banda de hardcore melódico da Suécia) quando eles vieram ao Brasil a primeira vez. O jornalista perguntou se foi muito difícil para eles, porque eles não eram americanos e tal. Eles disseram que não. Eles montaram a banda e ganharam do governo os instrumentos, e depois que eles tinham gravado disco, o governo patrocinou a tour deles pelos EUA e Europa. Ele disse que lá isso é comum.

C: Tu concorda com a postura de Marcelo D2? Meter o pau em Faustão e Gugu e depois ir lá cantar. Tu iria no Faustão?

R.C: Olha, a gente uma vez ia no Ratinho, ai eu fui lá no apartamento do Marcelo e do Lobato (empresário do Planet Hemp) e disse que não queria ir.Disse que eu não concordava com ele, não apoiava aquele programa dele, não deixava minha filha assistir aquele tipo de programa, porque aquilo é um desserviço a cultura. Então eu não podia ir lá porque era contra meus ideais. Não sei o que eles acharam, mas a gente não foi.
Agora sobre o D2, acho que ele é dono do nariz dele, ele sabe o que é melhor pra ele. Não cabe a mim dizer se eu acho certo ou não.

C: Se tua filha quiser seguir carreira musical tu vai achar bom?

R.C: Lógico. Mas ela tem mais jeito para desenhar. Puxou a mãe.

C: Garota sensata.

R.C: Hehehehe. Mas uma coisa hoje eu me arrependo: De não ter estudado mais
Antes. Achava besteira, mas hoje acho que me faz falta.

C: Conhecimentos gerais?

R.C: Não, conhecimento específico mesmo. Eu estudei jornalismo, mas queria ser musico. Hoje em dia acho que poderia escrever melhor se tivesse levado mais a serio os meus estudos. Isso é uma coisa que eu sinto falta.

C: É, o ruim é ver tanto jornalista que estudou escrevendo besteira por aí...

R.C: Pois é, isso é o que mais tem.

C: Tem previsão pra sair esse disquinho de Poniboy?

R.C: Não. Um dia.

C: Não se sente seguro pra lançar esse material ainda?

R.C: Eu tô fazendo músicas novas. Aquelas músicas que estão no site da trama...aquilo foi só um retrato de um momento que eu passei. Nunca tinha pensado em fazer nada além daquilo. Hoje eu tenho feito muito mais músicas, e as músicas estão mais consistentes, mas ainda não tenho os arranjos prontos, queria gravar com uma estrutura, uma banda, tipo violino, piano, banjo, acordeom. Isso leva tempo, e sem dinheiro...leva mais ainda.
Primeiro, preciso montar a banda, mas tá clareando aqui a situação, dia 17 agora vou fazer o meu primeiro show.

C: Tu devia catar esses caras em faculdades de música. Gente nova, sangue novo.

R.C: Essa foi a idéia inicial, mas músico de faculdade, músico que estuda, tem outra filosofia. Eles põem notas demais. Prefiro pegar a molecada que tem mais o espírito punk mesmo. É só domar um pouco a testosterona deles que rola.

C: Tu gosta do Rio de Janeiro? Sempre achei que você odiava esse lugar. Até por tu ter ido morar em São Paulo um tempo.

R.C: Eu já odiei muito o rio. Hahahahahaha. É sério, mas hoje em dia eu não odeio mais nada. Se pudesse escolher moraria em SP, acho que tem mais haver comigo. A cidade, as pessoas, o clima, tudo. Na verdade o fato é que eu não odeio o Rio, mas eu amo São Paulo. Mas pelo menos aqui eu tô perto da minha família, da minha filha, isso é importante também.

C: Tu acha que o Planet Hemp tem volta?

R.C: Não. Só se for daqui a uns 25 anos, tipo encontro de amigos.

C: Só pra ganhar uma grana.

R.C: Cara, espero que não. Espero resolver esse problema muito antes disso.


Site do Estúdio Superfuzz aqui. Página do Rafael Crespo no orkut aqui. MP3 do Polara aqui. MP3 do Poniboy aqui.

Fonte: Comunidade Que conversa é essa?! do China em 25.4.2006.

Andréa Tom

Andréa da Fonte Galvão, ou simplesmente Andréa Tom, 24, é estilista, mas não gosta desse rótulo, prefere ser chamada de “fazedoura de roupas”. Há três anos ela lançou seu nome no mercado e é uma das grandes apostas na moda recifense. Vivendo ainda na casa dos pais, ela tenta encontrar alternativas de ganhar dinheiro e assumir a sua independência. Vez por outra organiza bazares na casa da avó, onde expõe suas peças.
Está entrevista foi concebida via msn.

Andréa Tom: Não lembro há quanto tempo trabalho com moda, mas não faz muito tempo.

China: É fácil fazer moda em Recife?

A.T: Não. Fácil é, o que é difícil é vender. E eu não faço moda, eu faço roupa.

C: Você não se importa com as tendências?

A.T: Eu gosto de tendência. As tendências mostram novas possibilidades de se vestir.

C: Peraí! Roupa tem a ver com moda, moda tem a ver com tendência, e você diz que não faz moda?

A.T: Tudo bem pode ser...não. Deixa eu raciocinar um pouco.

C: tá.

A.T: Porque quando eu faço roupa, não tô pensando na moda, não diretamente, eu tô pensando no que eu gostaria de vestir mas não tem pra vender. Então eu tô pensando primeiro em mim e não na roupa.
Tô gostando não desta entrevista, tá muito contraditória. Hahahahahahahaaha.

C: Dá pra viver de moda, ou venda de roupas (como preferir) em Recife?

A.T: Se você mora na casa dos seus pais dá. Tô brincando. Tem muita gente que consegue viver de moda, mas eu não.

C: Eu acho que é complicado essa coisa de fazer roupas para as outras pessoas. São gostos muito diferentes.

A.T: Mas sempre tem alguém que vai gostar da mesma coisa que você gosta.

C: É. Eu tenho percebido que as meninas de Recife andam se vestindo igual. Será que todo mundo gosta da mesma coisa?

A.T: Acho que não. Vai ver as meninas do Recife (assim como eu) gostam de tendências, e aí agregam ao figurino algum elemento que é tendência. No final acaba todo mundo ficando muito parecido, mas cada uma tem sua identidade, e então no fim fica tudo parecido, não igual.

C: eu não entendo nada de moda. Detesto roupas, mas venho notando que a produção das estilistas de recife é muito parecida. Tô errado?

A.T: Tá errado. E você não odeia moda não. Você vive no estilinho.

C: eu uso o que me convém.

A.T: Cada estilista tem uma linha. Quem entende de roupa sabe diferenciar de longe uma roupa Andréa Tom de uma Semira Casé, por exemplo.
Você tem um grande estilo. Hahahahahahahaahaha.

C: Hahahhaahahhaaha.
Mas uma coisa lembra a outra. lógico que dá pra identificar, mas tem sempre algo que parece.

A.T: A gente vive na mesma cidade, freqüenta os mesmos lugares, convive muito, então no final claro que vai parecer, mas todas as meninas que eu conheço que fazem roupa tem um estilo próprio que diferencia bem o produto.

C: Tu não acha que tem muito estilista na cidade? Conheço uma menina que fazia administração e de uma hora pra outra ela virou estilista. Tá na moda ser estilista?

A.T: Tem muito arquiteto, muito dentista. Antes não tinha faculdade de moda, agora há 2. Antes as pessoas tinham vontade de trabalhar com moda mas não tinham acesso, agora o quadro é outro, por isso essa demanda.

C: Precisa de acesso pra trabalhar com moda? Acredito que é mais ou menos como na música: Faça você mesmo.

A.T: Reformule essa pergunta.

C: Bom, na música basta ter uma boa idéia, um instrumento, e tá feita a canção. Na moda também. Só precisa de uma boa idéia e alguém que costure bem. Porque só agora há esse interesse todo?

A.T: A valorização da moda no Brasil é muito recente. Há 10 anos atrás não tinha nem São Paulo fashion week, as pessoas não tinham tanto acesso à internet para pesquisar sobre o assunto, os meios de comunicação não davam tanto valor, então por isso esse boom. As pessoas estão podendo realmente ter acesso mais fácil à moda agora.

C: Eu acho o seguinte: Hoje em dia a maioria das meninas que não sabe o que quer da vida, vira estilista.

A.T: Pode ser, porque toda menina gosta de roupa. Você tá querendo dizer que eu não sei o que eu quero da minha vida?

C: Eu não disse isso.

A.T: Tudo bem.

C: Mas é aquele lance. Antes, todas as meninas que não sabiam o que queriam profissionalmente, faziam administração. Sempre foi assim. Agora elas viraram estilistas.
Você fez faculdade de moda?

A.T: Não, fiz um curso técnico no senac e saí me jogando por aí, estagiando em vários lugares.

C: Mas tu fez faculdade alguma vez na vida?

A.T: Não, e nem pretendo. Sempre quis trabalhar com arte e sempre busquei isso. Acho que existem outras maneiras de me informar que não precisam de uma faculdade.

C: Então a faculdade de moda não é importante?

A.T: Quais serão os grandes professores que me irão me ensinar numa faculdade de moda em Recife? A faculdade é importante porque dentro daquele meio claro que existem bons professores. Mas o curso é muito recente aqui. Talvez cursos mais tradicionais que existem em outros estados valham mais a pena.
O curso que fiz no senac...entre 10 professores, 3 valiam a pena. Das aulas dos outros professores, era melhor ficar em casa estudando por um livro ou pesquisando na internet. Então esse curso me fez desacreditar no potencial dos professores de moda no Recife.

C: Então você tá dizendo que é vacilo essas meninas todas estarem fazendo curso de moda em faculdade?

A.T: Não é vacilo não, porque existem bons professores e mesmo os ruins podem indicar bons livros. E como elas estão juntas no mesmo objetivo, dentro da faculdade elas mesmas podem debater sobre moda, conhecer novas pessoas do meio. Fazer uma faculdade sempre agrega conhecimento.

C: É bom ou é ruim ter tantas estilistas na cidade?

A.T: Quem ganha é o consumidor. É bom quando a gente se une porque agrega valor e força ao movimento relacionado a moda

C: E a classe é unida? Geralmente muitas mulheres juntas não se entendem.

A.T: As pessoas se unem com quem se identificam mais, é como uma banda. Você toca com as pessoas com quem você tem mais identidade musical, mas isso não que dizer que você não se dá bem com as pessoas da outra banda, pode rolar até uma jam.

C: Perguntei para uma modelo que entrevistei antes de você o seguinte. O lance de ter belas mulheres vestindo aquelas roupas, não desvirtua o olhar para a peça?

A.T: Uma pessoa bem intencionada que vai num desfile se concentra na roupa.

C: Por que tem que ter modelos bonitas? Afinal, quem vai vestir a roupa é gente comum.

A.T: Porque é mais fácil você se identificar com uma pessoa bonita do que com uma pessoa comum. Ninguém quer parecer comum como todo mundo, no íntimo, quer parecer bonito.

C: Então a modelo bonita é só pra enganar?

A.T: Não é para enganar, é para vender. Posso fazer uma pergunta no final?

C: Claro!

A.T: Massa.

C: Quais os estilistas que te inspiram?

A.T: Gosto muito do Alexandre Herckovitch. Mas o que me inspira não é o estilista, é o mundo em minha volta, são as coisas que vejo e sinto.
Eu não me considero uma estilista, sou uma pessoa que faz roupa.

C: por que essa distinção?

A.T: Assim fica muito mais simples, sem muita cobrança.

C: Só por isso? Achei que tinha algo conceitual no lance.

A.T: Sobre o algo conceitual é muito simples: não quero ser nenhum Herckovitch, só quero fazer o que gosto, conseguir me manter e ser feliz assim.

C: Já fizesse desfile fora de Recife?

A.T: Não, nunca fiz desfile fora de Recife. Tem que ter muito talento, sorte e dinheiro para poder investir, porque não adianta nada entrar no SPFW, conseguir um grande cliente que te faz uma super encomenda e tu não tem nem dinheiro nem mão-de-obra (costureira) para atender o pedido.

C: Nunca tinha pensado nisso. Tem que ter dinheiro para fazer moda, né?! Não é para qualquer um.

A.T: Se você pegar uma camiseta e remodelar, você está fazendo moda, então moda é para todos. Esse conceito é muito amplo

C: Voê acredita que o Recife pode ser uma referencia em moda no futuro?

A.T: Acredito, tem muita gente boa trabalhando pra isso.
Agora minha pergunta!

C: Claro, claro. Manda.

A.T: Você pretende fazer alguma faculdade de música?

C: claro que não. É para colocar isso na entrevista?

A.T: Claro que é.
Por que, você não acredita?

C: É importante o cara ter um curso e tal, mas para arte, faculdade não é decisivo. O que conta mais é o talento e determinação da pessoa.


*As roupas Andréa Tom podem ser encontradas na Abajour Lilás (Galeria Joana D'arc, no Pina, Recife - PE)

Página da Andréa Tom no orkut aqui. Comunidade da Andréa Tom aqui.

Fonte: Comunidade Que conversa é essa?! do China em 19.3.2006.

Fábio Trummer

Fábio Trummer é líder da Eddie, banda que formou a mais de 15 anos, e que semanas atrás lançou o terceiro disco, "Metropolitano".
Fábinho falou de música, política, e de sua fama de menino de família.
A entrevista foi concebida via email.

China: Porque lançar um disco em fevereiro, já que o mercado e a mídia estão
voltados para o carnaval? Isso não atrapalha os planos de divulgação?

Fábio Trummer: A idéia era lançar o cd o quanto antes, pois no verão temos uma demanda grande de pessoas que estão no
estado de férias e a trabalho, pessoas do meio musical e da midia, isto poupa
trabalho e dinheiro no futuro, é
verdade que as atenções estão voltadas pro carnaval. mas temos rec beat, porto
musical, amp, e o próprio
carnaval multicultural que faz com que as atenções se voltem a produção musical
do estado, e o metropolitano é
um cd que dedica boa parte das faixas ao carnaval, sendo assim.
Outro fato tambem faz com que não nos importemos com o lançamento as
vésperas do carnaval, o fato de um cd
independente ter um prazo de trabalho a médio e longo prazo, como não temos
dinheiro para investir numa campanha
de publicidade é bem provável que este cd esteja no auge da divulgação no verão
do ano que vem.

C: Dá pra ganhar dinheiro com venda de discos?

F.T: Ganhamos um dinheiro bom com vendas de cd, se vendemos nos
mesmos uma médiade 6 reais por cd,
na distribuidora um pouco menos, 3 reais por cd, o que é umamargem muito maior
que qualquer gravadora paga por
ai, possibilita muitas contas pagas no final do mês, e até umas boas farras.

C: Porque o Eddie mudou tanto de formação?

F.T: Na Época em que começamos a tocar música era uma incerteza, uma
brincadeira, depois a coisa ficou séria
para uns e problema para outros, desta forma os que decidiram seguir uma
carreira musical, no caso do eddie eu
sou o único das primeiras formações que optaram por esta tragetória, estão
tocando até hoje, outros saíram da
banda por diferenças musicais e mudanças de instrumentos. Roger deixou de tocar
baixo, por exemplo, Berna não
quis mais viajar e tocar bateria, e alguns por desgaste de convivência. É um
casamento sem sexo, no nosso
caso,por ai ja não sei.

C: Você confia na imprensa local?

F.T: Acho a imprensa local muito fraca. desde da formação, os cursos são
fracos, até o modelo profissional,
pouquissimos jornalista sabem sobre o mundo da musica, ainda mais saber sobre
literatura, artes plásticas, cinema e teatro, não da pra saber de tudo, e o principal motivo de não acreditar na imprensa local é o modelo dos jornais locais que privilegiam um formato e não o conteúdo, que exigem do jornalista prazo e não uma boa matéria, desta forma o erro é constante e a relação de favor que normalmente os jornais tem com a notícia atrapalha ainda mais o fim de uma boa matéria que é informar o leitor ou telespectador.

C: Quais os bons jornalistas da cidade? dá pra citar alguns?

F.T: Atualmente respeito o Renato L.

C: Você não acha que a cena recifense é muito dependente das leis de incentivo
a cultura?

F.T: Acho quer tem um monte de gente acomodada com as leis de incentivo a
cultura, acho que Recife usa muito
bem esta história de lei de incentivo e isto sem dúvida é um recurso bom no
desenvolvimento da cena, mas posso
usar o Eddie como exemplo, em 17 anos de estrada 2 cds gravados, só agora
utilizamos uma lei de incentivo a
cultura para gravar o terceiro cd. Ela não é fundamental para o desenvolvimento
da cena, o fundamental é a produção numerosa e de qualidade que nós temos.

C: Algum dia na vida, já lhe passou pela cabeça a possibilidade de ser vereador
em Olinda?

F.T: Não daria certo como vereador, é um meio podre que não ficaria uma
semana compactuando com toda a
fuleragem que existe.

C: Se você fosse prefeito da cidade, o que faria?

F.T: É uma questão complexa, mas se tivesse total poder, mudaria o tipo de
política que é praticado na minha
cidade, que na minha opnião é acomodada e atrazada, e não tras resultados,
preocupada com a politica partidaria
e eleitoreira e não com o fato de resolução dos problemas, votem em min!!!!!

C: Pra finalizar...é verdade que da ponte da capunga pra cá, tu já fez a
maioria das meninas?

F.T: Olha...na atual gestão de solteiro, tenho uma curiosidade sem fim de
descobrir as diferenças que as
mulheres fazem questão em ter. Bom, enquanto não sentir o abalo que a química
provoca num cara romantico como
eu, tambem conhecido por paixão, vou tentando incansável adquirir este dom de
ser dominado por estas substâncias sem cor, sem cheiro e que não soltam as tiras, e que te deixam nocéu, mas daí pra fazer tantas moças assim precisaria de mais umas 69 existências.


Visite a comunidade do Eddie no orkut aqui.

Fonte: Comunidade Que conversa é essa?! do China em 27.2.2006.

Daniel Belleza

Aos 32 anos, Daniel Belleza (esse é o seu nome verdadeiro, não é um apelido) participa do MTV Banda antes, que será gravado em Recife no dia 21 de Julho.
Há poucos passos de se tornar uma possível celebridade, Belleza, que já foi quase um big brother, falou um pouco do esquema MTV, da sua infância em Caruaru - PE, e dos caminhos que o seu som pretende seguir daqui por diante.

*Essa entrevista foi concebida via msn.


China: Tu vai tocar nesse projeto da MTV, o banda antes, mas por que esse nome, tu sabe? Banda antes de que?

Daniel Belleza: Acho que é banda antes de Cristo, da fama, dinheiro, mulheres, drogas, jogos, iates, mini-golfe, cassinos, etc.

C: Me parece que a MTV tá apostando em você. É isso?

D.B: Ah, a MTV é um dos meios que dão mais espaço para bandas independentes ultimamente, e acho que eles apoiam as bandas que tem potencial para dar certo.

C: Eles apoiam ou se aproveitam? Porque a onda agora é ser independente.

D.B: Acho que as duas coisas. Se fosse prejudicial pra eles, não fariam, com certeza.

C: Tu vem sempre ao Recife, mas tu não acha que a cidade tem um certo ranço com o punk? Sei lá, no teu último show eu senti isso (o show foi no Olinda estereo). O público ficava olhando, achando o som ultrapassado. atrasado.

D.B: Acho que a questão é estar no lugar certo na hora certa, meu último show aí foi no lugar errado e na hora errada. Acho que as pessoas mais novas conseguem absorver mais a música que eu faço. Acho que um dos grandes problemas do Recife é que muitas pessoas só conseguem achar bonito o próprio umbigo, idolatrando uma "regionalidade" que nem sempre é tão genial.

C: Não é a toa que dizem que Recife é um caldeirão com um monte de caranguejo dentro...quando um tenta sair, os outros puxam o pé dele para baixo.

D.B: É, esquecem que o mais gordo vai ser o primeiro a ser comido. Hahahahahahaha.

C: Mas você gosta de fazer show aqui, né?

D.B: Gosto muito de tocar aí, poxa! Acho que com o tempo as pessas daí vão acabar se acostumando comigo. Mesmo por que esse meu disco novo é bem diferente, tem coisas bem mais "adultas", menos punk rock.

C: Vai deixar de fazer Punk? Vai virar um cantor cabeça?

D.B: Não, na verdade eu já faço outro tipo som, acho que posso fazer um pouco de tudo, mas esse papo de "cabeça" me torra o saco. Meu disco solo tem uns axés, bregas, sambas, eletrônico e outras tosqueiras. O trabalho com a banda é mais rock mesmo, é pra acariciar meu lado "Iggy Pobre".

C: Já tá gravando isso? Esse projeto é parte daquele disco de Axé que vocÊ me falou?

D.B: Na verdade o disco de axé é parte desse projeto que tem um pouco de tudo.Eu já comecei a gravar umas coisas. Também tô gravando aquele disco com Lula Côrtes. Nesse disco solo tem até Chora Rita (parceria entre China e Daniel Belleza).

C: Bom saber. E o disco com Lula Côrtes, como vai ser esse trabalho?

D.B: Então, tá difícil arrancar Lula daí pra terminar o disco. Acho que vou gravar umas coisas aqui e mandar pra ele gravar a parte dele aí. Já temos 4 músicas praticamente prontas. A idéia é gravar 10, mas se complicar muito eu lanço só essas 4 mesmo. E o som é mais ou menos como se Daniel Belleza e Lula Côrtes tivessem entrado pros Beatles.

C: Você é de Caruaru mesmo?

D.B: Sou, nasci na rua Preta. A primeira infância sempre é muito marcante.

C: Perto de Ortinho? É daí que vem essa afinidade com Pernambuco?

D.B: Ortinho era meu vizinho.

C: Voltaria a morar lá?

D.B: Só não me mudo de vez praí porque acabei criando várias coisas aqui que não posso abandonar. Acho que não voltaria a morar em Caruaru, mas posso ter uma casa de veraneio por lá sim. Fui-me embora com menos de um ano, as imagens que me vem à cabeça de minha infância lá são como uma viagem de ácido.

C: Realmente...um lindo relato da infância.

D.B: Quase chorei aqui agora.
Uma vez um amigo de meu pai cavou uma vala pra eu brincar...isso foi numa praia, não me lembro onde, só me recordo que a maré foi subindo e a água alcançou a vala e entrou na minha boca. Levei um baita susto e comecei a chorar. Acho que isso me traumatizou pra sempre. Não tenho medo de água, mas não posso nem lembrar da cara do safado.

C: Porque você deixou o cara da MTV vomitar na sua mão? Achou que venderia mais discos com essa atitude?

D.B: Não, na verdade eu achava que ia acontecer exatamente o que aconteceu. Ele ficou com cara de merda o dia inteiro. Foi bem pior pra ele do que pra mim. Traumatizou. Acabei com o poder dele. Fora que ele ficava comendo uma papa de maçã com leite, não dava nem pra ficar com nojo.

C: Como assim acabou com o poder dele? O cara vomitou na sua mão!

D.B: Ele achava que eu ia ficar com nojo,tirar a mão, correr, ficar puto, fazer cara de desespero, mas não, a minha tranquilidade quabrou as pernas dele. Acredita que ele ficou o dia todo me agradecendo?
Hahahahahahahahaha!


Visite o fotolog do cara aqui. E também o orkut.

Fonte: Comunidade Que conversa é essa?! do China em 18.7.2006.

Interessante...

Políticos apóiam Austrália como sede da Copa 2018

Líderes políticos da Austrália disseram nesta sexta-feira que apoiariam uma proposta para o país abrigar a Copa do Mundo de 2018.

A possibilidade de o país se candidatar a sediar o torneio foi discutida em um encontro anual entre o governo federal e os chefes dos oito Estados e territórios do país, informa a Agência Reuters.

"Todos os governos concordaram entusiasmadamente que, se a entidade nacional, a Federação de Futebol da Austrália, montar uma candidatura para a Copa do Mundo de 2018, todos os governos irão apoiá-la", afirmou o primeiro-ministro John Howard a repórteres em Canberra.

A Austrália se classificou para a Copa do Mundo da Alemanha pela primeira vez em 32 anos e surpreendeu muitos ao chegar às oitavas-de-final, quando o time foi eliminado pela campeã Itália.

O futebol tem dificuldade de conquistar espaço na Austrália devido à popularidade do rúgbi e do críquete, mas a Copa do Mundo paralisou torcedores em toda a nação, apesar de as partidas terem sido jogadas durante a madrugada ou no começo na manhã no horário local.

Autoridades australianas estão considerando uma candidatura tardia para abrigar a Copa Asiática de 2011 como plano para ter o Mundial no país em 2018 ou 2022.

A Copa do Mundo de 2010 será realizada na África do Sul e o Mundial de 2014, na América do Sul, ainda sem país definido. A decisão sobre o torneio de 2018 deve ser tomada em 2012.

A Austrália abrigou com sucesso a Olimpíada de 2000, em Sydney.

Fonte: Agência Placar