sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Percy Bisshe Shelley

Shelley é meu poeta do momento. Ele sabe resumir sentimentos que antes sequer existiam palavras para eles. E tendo a morte como tema recorrente, nos dias de guerra em quem vivemos, nada se encaixa melhor que ele. ;)

A man, to be greatly good, must imagine intensely and comprehensively; he must put himself in the place of another and of many others; the pains and pleasures of his species must become his own.

All love is sweet, Given or returned. Common as light is love, And its familiar voice wearies not ever. They who inspire is most are fortunate, As I am now: but those who feel it most Are happier still.

All of us, who are worth anything, spend our manhood in unlearning the follies, or expiating the mistakes of our youth.

Change is certain. Peace is followed by disturbances; departure of evil men by their return. Such recurrences should not constitute occasions for sadness but realities for awareness, so that one may be happy in the interim.

Cold hopes swarm like worms within our living clay.

Concerning God, freewill and destiny: Of all that earth has been or yet may be, all that vain men imagine or believe, or hope can paint or suffering may achieve, we descanted.

Death is the veil which those who live call life; They sleep, and it is lifted.

Familiar acts are beautiful through love.

Government is an evil; it is only the thoughtlessness and vices of men that make it a necessary evil. When all men are good and wise, government will of itself decay.

He has outsoared the shadow of our night; envy and calumny and hate and pain, and that unrest which men miscall delight, can touch him not and torture not again; from the contagion of the world's slow stain, he is secure.

History is a cyclic poem written by time upon the memories of man.

In a drama of the highest order there is little food for censure or hatred; it teaches rather self-knowledge and self-respect.

Is it not odd that the only generous person I ever knew, who had money to be generous with, should be a stockbroker.

Life, like a dome of many-coloured glass, satins the white radiance of Eternity, until Death tramples it to fragments.

Man has no right to kill his brother. It is no excuse that he does so in uniform: he only adds the infamy of servitude to the crime of murder.

Man's yesterday may never be like his morrow; Nought may endure but Mutability.

Nothing wilts faster than laurels that have been rested upon.

Our sweetest songs are those that tell of saddest thought.

Peace, peace! he is not dead, he doth not sleep - he hath awakened from the dream of life - 'Tis we, who lost in stormy visions, keep with phantoms an unprofitable strife.

Poetry is a mirror which makes beautiful that which is distorted.

Poetry lifts the veil from the hidden beauty of the world, and makes familiar objects be as if they were not familiar.

Poets are the unacknowledged legislators of the world.

Revenge is the naked idol of the worship of a semi-barbarous age.

Reviewers, with some rare exceptions, are a most stupid and malignant race. As a bankrupt thief turns thief-taker in despair, so an unsuccessful author turns critic.

Soul meets soul on lovers' lips.

The great instrument of moral good is the imagination.

The man of virtuous soul commands not, nor obeys.

The more we study the more we discover our ignorance.

The pleasure that is in sorrow is sweeter than the pleasure of pleasure itself.

The soul's joy lies in doing.

There is a harmony in autumn, and a luster in its sky, which through the summer is not heard or seen, as if it could not be, as if it had not been!

There is no real wealth but the labor of man.

To be omnipotent but friendless is to reign.

War is the statesman's game, the priest's delight, the lawyer's jest, the hired assassin's trade.

When a thing is said to be not worth refuting you may be sure that either it is flagrantly stupid - in which case all comment is superfluous - or it is something formidable, the very crux of the problem.

Bill Waterson

There is not enough time to do all the nothing we want to do.

Bob Marley

Don't gain the world and lose your soul, wisdom is better than silver or gold.

Meu amigo Fred

I've had recurring nightmares that I was loved for who I am.

Trechos que encantam

Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...


:: O Pequeno Príncipe
Autor: Antoine de Saint-Éxupery
Editora Agir

Samuel Goldwyn

I had a monumental idea this morning, but I didn't like it.

Pro Beleléu

Detesto São Paulo.

Antes eu gostava quando eu era do Rio e eu vinha pra São Paulo ver show da Vanguarda Paulista e eu saía de noite e eu era muito jovem e eu estava aprendendo a tocar contrabaixo e eu era mineiro e eu tenho uns tios que são mineiros e moram em São Paulo há muito tempo e eles são músicos e eu queria ser músico que nem eles, os meus tios, e eu saía de noite com o meu tio que tinha uns amigos que eram da Vanguarda Paulista e tinha o Gigante que era amigo do meu tio e tocava com o Itamar Assumpção e eu fui no ensaio do Itamar Assumpção com o meu tio no dia que a Elis Regina morreu e de noite fazia um frio que eu achava gostoso e eu botava uns casacos que eram muito bonitos e elegantes que só dava pra eu usar quando eu vinha pra São Paulo e eu achava que São Paulo era igual Nova York e eu ia em vários bares e eu ia no Teatro Municipal ver o Macunaíma do Antunes Filho e eu ia no camarim do teatro porque o Antunes era amigo do meu pai e era de São Paulo e a mulher do meu tio era atriz do Macunaíma e eu ficava vendo as atrizes paulistas do Antunes que ficavam peladas andando pelo camarim achando normal ficarem peladas na minha frente e eu ficava maluco porque eu nunca tinha trepado e aquelas mulheres de São Paulo eram as mulheres que eu queria ter e eu batia muita punheta pensando nelas e eu queria muito vir morar em São Paulo porque no Rio não tinha Vanguarda Paulista, não tinha o grupo do Antunes, não tinha aquele frio gostoso de noite, não parecia com Nova York e as meninas do Rio eram gostosas de biquíni, todas bronzeadas, mas não tinham aquele lance de ficar com casacos elegantes de noite vendo shows de vanguarda e eu fui uma vez naquele lugar do Nelson Motta lá no Pão de Açúcar pra ver um show do Arrigo e os cariocas ficaram jogando latas de cerveja no palco e eu fiquei pensando que o Rio era uma província e ficou pior ainda quando aqueles grupos de rock começaram a aparecer e ninguém gostava mesmo da Vanguarda Paulista só eu e os paulistas aí eu fiquei sendo paulista de coração. Eu tinha um grupo de vanguarda no Rio de Janeiro e saiu uma matéria no Jornal do Brasil lançando a Vanguarda Carioca. Eu era da Vanguarda Carioca e eu tinha uma banda igual a banda do Arrigo e eu era o Arrigo e namorava a cantora da banda que tinha uma voz aguda e era igual a Tetê Espíndola e a gente sempre tocava no Circo Voador e eu achava que o Rio ia melhorar e ficar igual a São Paulo.

Eu adorava São Paulo.

Eu vim morar em São Paulo no ano de 1992 quando eu voltei da Alemanha e o Collor era presidente e todo mundo estava sem dinheiro e o Rio estava muito pobre e eu trabalhava com publicidade e as agências de publicidade do Rio estavam fechando porque o Rio é mais pobre do que São Paulo porque São Paulo é uma cidade que foi inventada só pro pessoal fazer uma grana e eu vim fazer uma grana em São Paulo e eu achava que São Paulo era a cidade mais parecida com Berlim que é a cidade que eu mais gosto e que é muito mais bacana que Nova York e muito melhor do que o Rio mas aí eu reparei que não era bem assim, que o Arrigo tinha sumido, não tinha mais Vanguarda Paulista, só tinha gente tentando ganhar dinheiro e eu não tinha mais banda e eu não era mais de vanguarda e eu trabalhava numa firma deprimente e as paulistas da firma e da Faria Lima não tinham deselegância discreta porra nenhuma e a poluição fazia meus olhos ficarem ardendo e todo mundo ficava só trabalhando e ganhando dinheiro e bebendo chops depois do trabalho e aqueles paulistas eram todos muito caretas com aqueles cortes de cabelo caretas que os chefes das firmas gostam, e aquelas mulheres caretas com aqueles conjuntinhos caretas de andar na Avenida Paulista na hora do almoço, indo para aqueles restaurantes de quilo caretas e eu sofria tanto com tanta saudade do Rio e dos meus amigos cariocas de vanguarda e de São Paulo quando São Paulo era de vanguarda e eu andava tanto de ônibus e ficava tanto tempo no trânsito com aqueles paulistas e eu morei numa rua que só tinha ferro velho e tinha uma favela sem charme atrás da casa do amigo onde eu morava e até a favela de São Paulo era careta e eu não via Nova York em lugar nenhum e dava vontade de chorar só de ver uma imagem do Pão de Açúcar na televisão e eu não conhecia ninguém em lugar nenhum e eu nunca mais vi um show do Itamar Assumpção e eu passei muitos anos assim sem nada de vanguarda, só firma, só restaurante de quilo, só Paulo Maluf que é uma das coisas mais paulistas que há e eu ficava com muita vontade de eu ir morar no Rio de novo e eu fui trabalhar no Rio e os meus amigos de vanguarda não eram mais de vanguarda e trabalhavam numas firmas e ganhavam muito mal e eu ganhava muito mais dinheiro em São Paulo do que no Rio e eu detesto dinheiro.

Adoro São Paulo.

Antes eu detestava quando eu achava que o Rio era muito melhor até que eu percebi que as coisas não são bem assim, quando eu percebi que eu sempre preferia outra cidade do que aquela cidade na qual eu estava morando antes e quando deu tudo errado naquele emprego que me levou de volta para o Rio e eu voltei de novo pra São Paulo pra fazer uma grana e eu comecei a reparar num monte de coisa boa que eu acho bom em São Paulo, que nem a Rua Augusta e a Avenida Paulista iluminada de noite no inverno e o fato de São Paulo ser uma das maiores cidades do mundo e ser um mundo tão grande e tão impossível de conhecer inteiro e o centro da cidade que é muito louco e o provincianismo muito grande, tão grande que chega a ser até moderno e os paulistas que são meio provincianos, mas de um provincianismo simpático na fila pra ver filme do Godard que ninguém gosta mais só eu e uns paulistas provincianos modernos e as músicas do Beleléu, que é o Itamar Assumpção falando de São Paulo à meia-noite e o sol alaranjado morrendo atrás dos prédios que nunca acabam no horizonte sem oceano e o zeppelin que fica passando na minha janela e o silêncio dos feriados e a noite alaranjada e as avenidas marginais alaranjadas na madrugada e a solidão que dói tanto e eu fico sentindo que há poesia em toda parte e o Itamar Assumpção morreu e São Paulo ficou tão sozinha à meia-noite e eu e São Paulo somos tão sozinhos e o universo é tão sozinho e a poesia é uma coisa dos sozinhos e eu em São Paulo gostando de sentir essa dor do Beleléu que morreu e da vanguarda que acabou e daquele tempo que eu adorava São Paulo, aquele tempo que eu detestava São Paulo. Foi tudo pro Beleléu aqui no meu coração em São Paulo.


de André Sant'Anna

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

No rush

Feel it.
Timing is everything.
One who doesn't take no for an answer might get what what they want.

Passa

É estranho como é tudo perfeito. Nós e o mundo. Em nossas casas de vidro e nossos jardins de tulipas vermelhas.

Queria que o tempo parasse por alguns minutos só pra que eu guardasse essa imagem pra sempre.

Você e eu. Juntos. Um momento estranho e confortável que aquece nas noites frias.

E como tudo pode ser diferente enquanto tudo parece ser complicado.

Nossas mentes fugidias assoladas pelo medo do que queremos ser. Mas tudo acaba sendo uma falta.

Quando o coração de uma garota perdida na noite escura encontra um cigarro sendo aceso na esquina.


:: 21.6.06

Trecho fenomenal

As palavras a seguir já dizem todo o necessário.
Dizem que eu entendo.
Dizem o que quero.


(...) A escrita me saía espontânea, num ritmo que não era o meu, e foi na batata da perna de Teresa que escrevi as primeiras palavras na língua nativa. No princípio ela até gostou, ficou lisonjeada quando eu lhe disse que estava escrevendo um livro nela. Depois deu para ter ciúme, deu para me recusar seu corpo, disse que eu só a procurava a fim de escrever nela, e o livro já ia pelo sétimo capítulo quando ela me abandonou. Sem ela, perdi o fio do novelo, voltei ao prefácio, meu conhecimento da língua regrediu, pensei até em largar tudo e ir embora para Hamburgo. Passava os dias catatônico diante de uma folha de papel em branco, eu tinha me viciado em Teresa. Experimentei escrever alguma coisa em mim mesmo, mas não era tão bom, então fui a Copacabana procurar as putas. Pagava para escrever nelas, e talvez lhe pagasse além do devido, pois elas simulavam orgasmos que me roubavam toda a concentração. Toquei na casa de Teresa, estava casada, chorei, ela me deu a mão, permitiu que eu escrevesse umas breves palavras enquanto o marido não vinha. Passei a assediar as estudantes, que às vezes me deixavam escrever nas suas blusas, depois na dobra do braço, onde sentiam cócegas, depois na saia, nas coxas. E elas mostravam esses escritos às colegas, que muito os apreciavam, e subiam ao meu apartamento e me pediam que escrevesse o livro na cara delas, no pescoço, depois despiam a blusa e me ofereciam os seios, a barriga e as costas. E davam a ler meus escritos a novas colegas, que subiam ao meu apartamento e me imploravam para arrancar suas calcinhas, e o negro das minhas letras reluzia em suas nádegas rosadas. Moças entravam e saíam da minha vida, e meu livro se dispersava por aí, cada capítulo a voar para um lado. Foi quando apareceu aquela que se deitou em minha cama e me ensinou a escrever de trás para diante. Zelosa dos meus escritos, só ela os sabia ler, mirando-se no espelho, e de noite apagava o que de dia fora escrito, para que eu jamais cessasse de escrever meu livro nela. E engravidou de mim, e na sua barriga o livro foi ganhando novas formas, e foram dias e noites sem pausa, sem comer um sanduíche, trancado no quartinho da agência, até que eu cunhasse, no limite das forças, a frase final: e a mulher amada, cujo leite eu já sorvera, me fez beber da água com que havia lavado sua blusa.


:: Budapeste
autor: Chico Buarque de Hollanda
Editora Cia. das Letras
Ano: 2003

Trechos que encantam

Com o show do Chico cada vez mais perto, nada como dar uma aquecida nos motores por aqui com o lado literário do grande compositor.

Este trecho me é particularmente especial no momento.

(...) eu não buscava explicações, pretendia passear os olhos com calma naquele urbanismo. (...) Não me aborrecia caminhar assim num mapa, talvez porque sempre tive a vaga sensação de ser eu também o mapa de uma pessoa.


:: Budapeste
autor: Chico Buarque de Hollanda
Editora Cia. das Letras
Ano: 2003

Wizard of Oz

A heart is not judged by how much you love, but by how much you are loved by others.

De repente

Hoje tomei uma decisão.

Senti um alívio nas costas.


:: 25.7.06